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CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA


CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA
RESOLUÇÃO CFM Nº 1.931, DE 17 DE SETEMBRO DE 2009
Diário Oficial da União; Poder Executivo, Brasília, DF, 24 set. 2009. Seção I, p. 90-2
Diário Oficial da União; Poder Executivo, Brasília, DF, 13 out. 2009. Seção I, p. 173 -
RETIFICAÇÃO
em vigor a partir de 13/04/2010

Aprova o Código de Ética Médica.

O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, no uso das atribuições conferidas pela Lei n.º 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto n.º 44.045, de 19 de julho de 1958, modificado pelo Decreto n.º 6.821, de 14 de abril de 2009 e pela Lei n.º 11.000, de 15 de dezembro de 2004, e, consubstanciado nas Leis n.º 6.828, de 29 de outubro de 1980 e Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999; e CONSIDERANDO que os Conselhos de Medicina são ao mesmo tempo julgadores e disciplinadores da classe médica, cabendo-lhes zelar e trabalhar, por todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito desempenho ético da Medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exerçam legalmente; CONSIDERANDO que as normas do Código de Ética Médica devem submeter-se aos dispositivos constitucionais vigentes; CONSIDERANDO a busca de melhor relacionamento com o paciente e a garantia de maior autonomia à sua vontade; CONSIDERANDO as propostas formuladas ao longo dos anos de 2008 e 2009 e pelos Conselhos Regionais de Medicina, pelas Entidades Médicas, pelos médicos e por instituições científicas e universitárias para a revisão do atual Código de Ética Médica; CONSIDERANDO as decisões da IV Conferência Nacional de Ética Médica que elaborou, com participação de Delegados Médicos de todo o Brasil, um novo Código de Ética Médica revisado. CONSIDERANDO o decidido pelo Conselho Pleno Nacional reunido em 29 de agosto de 2009; CONSIDERANDO, finalmente, o decidido em sessão plenária de 17 de setembro de 2009. RESOLVE: Art. 1º Aprovar o Código de Ética Médica, anexo a esta Resolução, após sua revisão e atualização. Art. 2º O Conselho Federal de Medicina, sempre que necessário, expedirá Resoluções que complementem este Código de Ética Médica e facilitem sua aplicação. Art. 3º O Código anexo a esta Resolução entra em vigor cento e oitenta dias após a data de sua publicação e, a partir daí, revoga-se o Código de Ética Médica aprovado pela Resolução CFM n.º 1.246, publicada no Diário Oficial da União, no dia 26 de janeiro de 1988, Seção I, páginas 1574-1579, bem como as demais disposições em contrário.


EDSON DE OLIVEIRA ANDRADE
Presidente
LÍVIA BARROS GARÇÃO
Secretária-Geral

PREÂMBULO

I – O presente Código de Ética Médica contém as normas que devem ser seguidas pelos médicos no exercício de sua profissão, inclusive no exercício de atividades relativas ao ensino, à pesquisa e à administração de serviços de saúde, bem como no exercício de quaisquer outras atividades em que se utilize o conhecimento advindo do estudo da Medicina. II - As organizações de prestação de serviços médicos estão sujeitas às normas deste Código. III - Para o exercício da Medicina, impõe-se a inscrição no Conselho Regional do respectivo Estado, Território ou Distrito Federal. IV - A fim de garantir o acatamento e a cabal execução deste Código, o médico comunicará ao Conselho Regional de Medicina, com discrição e fundamento, fatos de que tenha conhecimento e que caracterizem possível infração do presente Código e das demais normas que regulam o exercício da Medicina. V - A fiscalização do cumprimento das normas estabelecidas neste Código é atribuição dos Conselhos de Medicina, das comissões de ética e dos médicos em geral. VI - Este Código de Ética Médica é composto de 25 princípios fundamentais do exercício da Medicina, 10 normas diceológicas, 118 normas deontológicas e quatro disposições gerais. A transgressão das normas deontológicas sujeitará os infratores às penas disciplinares previstas em lei.


Capítulo I
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

I - A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e será exercida sem discriminação de nenhuma natureza. II - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. III - Para exercer a Medicina com honra e dignidade, o médico necessita ter boas condições de trabalho e ser remunerado de forma justa. IV - Ao médico cabe zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da Medicina, bem como pelo prestígio e bom conceito da profissão. V - Compete ao médico aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente. VI - O médico guardará absoluto respeito pelo ser humano e atuará sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade. VII - O médico exercerá sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames de sua consciência ou a quem não deseje, excetuadas as situações de ausência de outro médico, em caso de urgência ou emergência, ou quando sua recusa possa trazer danos à saúde do paciente. VIII - O médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho. IX - A Medicina não pode, em nenhuma circunstância ou forma, ser exercida como comércio. X - O trabalho do médico não pode ser explorado por terceiros com objetivos de lucro, finalidade política ou religiosa. XI - O médico guardará sigilo a respeito das informações de que detenha conhecimento no desempenho de suas funções, com exceção dos casos previstos em lei. XII - O médico empenhar-se-á pela melhor adequação do trabalho ao ser humano, pela eliminação e pelo controle dos riscos à saúde inerentes às atividades laborais. XIII - O médico comunicará às autoridades competentes quaisquer formas de deterioração do ecossistema, prejudiciais à saúde e à vida. XIV - O médico empenhar-se-á em melhorar os padrões dos serviços médicos e em assumir sua responsabilidade em relação à saúde pública, à educação sanitária e à legislação referente à saúde. XV - O médico será solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja por remuneração digna e justa, seja por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional da Medicina e seu aprimoramento técnico-científico. XVI - Nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital ou de instituição, pública ou privada, limitará a escolha, pelo médico, dos meios cientificamente reconhecidos a serem praticados para o estabelecimento do diagnóstico e da execução do tratamento, salvo quando em benefício do paciente. XVII - As relações do médico com os demais profissionais devem basear-se no respeito mútuo, na liberdade e na independência de cada um, buscando sempre o interesse e o bem-estar do paciente. XVIII - O médico terá, para com os colegas, respeito, consideração e solidariedade, sem se eximir de denunciar atos que contrariem os postulados éticos. XIX - O médico se responsabilizará, em caráter pessoal e nunca presumido, pelos seus atos profissionais, resultantes de relação particular de confiança e executados com diligência, competência e prudência. XX - A natureza personalíssima da atuação profissional do médico não caracteriza relação de consumo. XXI - No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas. XXII - Nas situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados. XXIII - Quando envolvido na produção de conhecimento científico, o médico agirá com isenção e independência, visando ao maior benefício para os pacientes e a sociedade. XXIV - Sempre que participar de pesquisas envolvendo seres humanos ou qualquer animal, o médico respeitará as normas éticas nacionais, bem como protegerá a vulnerabilidade dos sujeitos da pesquisa. XXV - Na aplicação dos conhecimentos criados pelas novas tecnologias, considerando-se suas repercussões tanto nas gerações presentes quanto nas futuras, o médico zelará para que as pessoas não sejam discriminadas por nenhuma razão vinculada a herança genética, protegendo-as em sua dignidade, identidade e integridade.

Capítulo II
DIREITOS DOS MÉDICOS
É direito do médico:

I - Exercer a Medicina sem ser discriminado por questões de religião, etnia, sexo, nacionalidade, cor, orientação sexual, idade, condição social, opinião política ou de qualquer outra natureza. II - Indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas as práticas cientificamente reconhecidas e respeitada a legislação vigente. III - Apontar falhas em normas, contratos e práticas internas das instituições em que trabalhe quando as julgar indignas do exercício da profissão ou prejudiciais a si mesmo, ao paciente ou a terceiros, devendo dirigir-se, nesses casos, aos órgãos competentes e, obrigatoriamente, à comissão de ética e ao Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição. IV - Recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública ou privada onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do paciente, bem como a dos demais profissionais. Nesse caso, comunicará imediatamente sua decisão à comissão de ética e ao Conselho Regional de Medicina. V - Suspender suas atividades, individualmente ou coletivamente, quando a instituição pública ou privada para a qual trabalhe não oferecer condições adequadas para o exercício profissional ou não o remunerar digna e justamente, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Medicina. VI - Internar e assistir seus pacientes em hospitais privados e públicos com caráter filantrópico ou não, ainda que não faça parte de seu corpo clínico, respeitadas as normas técnicas aprovadas pelo Conselho Regional de Medicina da pertinente jurisdição. exercício de sua profissão. VIII - Decidir, em qualquer circunstância, levando em consideração sua experiência e VII - Requerer desagravo público ao Conselho Regional de Medicina quando atingido no encargos ou de consultas venha a prejudicá-lo. capacidade profissional, o tempo a ser dedicado ao paciente, evitando o acúmulo de aos ditames de sua consciência. IX - Recusar-se a realizar atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários X– Estabelecer seus honorários de forma justa e digna.

Capítulo III
RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL
É vedado ao médico:

Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência. Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre pessoal e não pode ser presumida. Art. 2º Delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivos da profissão médica. Art. 3º Deixar de assumir responsabilidade sobre procedimento médico que indicou ou do qual participou, mesmo quando vários médicos tenham assistido o paciente. Art. 4º Deixar de assumir a responsabilidade de qualquer ato profissional que tenha praticado ou indicado, ainda que solicitado ou consentido pelo paciente ou por seu representante legal. Art. 5º Assumir responsabilidade por ato médico que não praticou ou do qual não participou. Art. 6º Atribuir seus insucessos a terceiros e a circunstâncias ocasionais, exceto nos casos em que isso possa ser devidamente comprovado. Art. 7º Deixar de atender em setores de urgência e emergência, quando for de sua obrigação fazê-lo, expondo a risco a vida de pacientes, mesmo respaldado por decisão majoritária da categoria. Art. 8º Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem deixar outro médico encarregado do atendimento de seus pacientes internados ou em estado grave. Art. 9º Deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença de substituto, salvo por justo impedimento. Parágrafo único. Se o fato persistir, é dever do médico comunicar o ocorrido às autoridades competentes e ao Conselho Regional de Medicina. Art. 13. Deixar de esclarecer o paciente sobre as determinantes sociais, ambientais ou profissionais de sua doença. Art. 14. Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País. Art. 15. Descumprir legislação específica nos casos de transplantes de órgãos ou de tecidos, esterilização, fecundação artificial, abortamento, manipulação ou terapia genética. § 1º No caso de procriação medicamente assistida, a fertilização não deve conduzir sistematicamente à ocorrência de embriões supranumerários. § 2º O médico não deve realizar a procriação medicamente assistida com nenhum dos seguintes objetivos: I – criar seres humanos geneticamente modificados; II – criar embriões para investigação; III – criar embriões com finalidades de escolha de sexo, eugenia ou para originar híbridos ou quimeras. § 3º Praticar procedimento de procriação medicamente assistida sem que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos sobre o mesmo. Art. 16. Intervir sobre o genoma humano com vista à sua modificação, exceto na terapia gênica, excluindo-se qualquer ação em células germinativas que resulte na modificação genética da descendência. Art. 17. Deixar de cumprir, salvo por motivo justo, as normas emanadas dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina e de atender às suas requisições administrativas, intimações ou notificações no prazo determinado Art. 18. Desobedecer aos acórdãos e às resoluções dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina ou desrespeitá-los. Art. 19. Deixar de assegurar, quando investido em cargo ou função de direção, os direitos dos médicos e as demais condições adequadas para o desempenho ético-profissional da Medicina. Art. 20. Permitir que interesses pecuniários, políticos, religiosos ou de quaisquer outras ordens, do seu empregador ou superior hierárquico ou do financiador público ou privado da assistência à saúde interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção, diagnóstico ou tratamento disponíveis e cientificamente reconhecidos no interesse da saúde do paciente ou da sociedade. Art. 21. Deixar de colaborar com as autoridades sanitárias ou infringir a legislação pertinente.

Capítulo IV
DIREITOS HUMANOS
É vedado ao médico:

Art. 22. Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte. Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto. Art. 24. Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar, bem como exercer sua autoridade para limitá-lo Art. 25. Deixar de denunciar prática de tortura ou de procedimentos degradantes, desumanos ou cruéis, praticá-las, bem como ser conivente com quem as realize ou fornecer meios, instrumentos, substâncias ou conhecimentos que as facilitem. Parágrafo único. Na ausência de médico plantonista substituto, a direção técnica do estabelecimento de saúde deve providenciar a substituição. Art. 10. Acumpliciar-se com os que exercem ilegalmente a Medicina ou com profissionais ou instituições médicas nas quais se pratiquem atos ilícitos. Art. 11. Receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição, bem como assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou quaisquer outros documentos médicos. Art. 12. Deixar de esclarecer o trabalhador sobre as condições de trabalho que ponham em risco sua saúde, devendo comunicar o fato aos empregadores responsáveis. Art. 26. Deixar de respeitar a vontade de qualquer pessoa, considerada capaz fisica e mentalmente, em greve de fome, ou alimentá-la compulsoriamente, devendo cientificá-la das prováveis complicações do jejum prolongado e, na hipótese de risco iminente de morte, tratá-la. Art. 27. Desrespeitar a integridade física e mental do paciente ou utilizar-se de meio que possa alterar sua personalidade ou sua consciência em investigação policial ou de qualquer outra natureza. Art. 28. Desrespeitar o interesse e a integridade do paciente em qualquer instituição na qual esteja recolhido, independentemente da própria vontade. Parágrafo único. Caso ocorram quaisquer atos lesivos à personalidade e à saúde física ou mental dos pacientes confiados ao médico, este estará obrigado a denunciar o fato à autoridade competente e ao Conselho Regional de Medicina. Art. 29. Participar, direta ou indiretamente, da execução de pena de morte. Art. 30. Usar da profissão para corromper costumes, cometer ou favorecer crime.

Capítulo V
RELAÇÃO COM PACIENTES E FAMILIARES
É vedado ao médico:

Art. 31. Desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante legal de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de morte. Art. 32. Deixar de usar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente. Art. 33. Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais em casos de urgência ou emergência, quando não haja outro médico ou serviço médico em condições de fazê-lo. Art. 34. Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta possa lhe provocar dano, devendo, nesse caso, fazer a comunicação a seu representante legal. Art. 35. Exagerar a gravidade do diagnóstico ou do prognóstico, complicar a terapêutica ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos Art. 36. Abandonar paciente sob seus cuidados. § 1º Ocorrendo fatos que, a seu critério, prejudiquem o bom relacionamento com o paciente ou o pleno desempenho profissional, o médico tem o direito de renunciar ao atendimento, desde que comunique previamente ao paciente ou a seu representante legal, assegurando-se da continuidade dos cuidados e fornecendo todas as informações necessárias ao médico que lhe suceder. § 2º Salvo por motivo justo, comunicado ao paciente ou aos seus familiares, o médico não abandonará o paciente por ser este portador de moléstia crônica ou incurável e continuará a assisti-lo ainda que para cuidados paliativos. Art. 37. Prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente, salvo em casos de urgência ou emergência e impossibilidade comprovada de realizá-lo, devendo, nesse caso, fazê-lo imediatamente após cessar o impedimento. Parágrafo único. O atendimento médico a distância, nos moldes da telemedicina ou de outro método, dar-se-á sob regulamentação do Conselho Federal de Medicina. Art. 38. Desrespeitar o pudor de qualquer pessoa sob seus cuidados profissionais. Art. 39 Opor-se à realização de junta médica ou segunda opinião solicitada pelo paciente ou por seu representante legal. Art. 40. Aproveitar-se de situações decorrentes da relação médico-paciente para obter vantagem física, emocional, financeira ou de qualquer outra natureza. Art. 41. Abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu representante legal. Parágrafo único. Nos casos de doença incurável e terminal, deve o médico oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante legal. Art. 42. Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre método contraceptivo, devendo sempre esclarecê-lo sobre indicação, segurança, reversibilidade e risco de cada método.

Capítulo VI
DOAÇÃO E TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS E TECIDOS
É vedado ao médico:

Art. 43. Participar do processo de diagnóstico da morte ou da decisão de suspender meios artificiais para prolongar a vida do possível doador, quando pertencente à equipe de transplante. Art. 44. Deixar de esclarecer o doador, o receptor ou seus representantes legais sobre os riscos decorrentes de exames, intervenções cirúrgicas e outros procedimentos nos casos de transplantes de órgãos. Art. 45. Retirar órgão de doador vivo quando este for juridicamente incapaz, mesmo se houver autorização de seu representante legal, exceto nos casos permitidos e regulamentados em lei. Art. 46. Participar direta ou indiretamente da comercialização de órgãos ou de tecidos humanos.

Capítulo VII
RELAÇÃO ENTRE MÉDICOS
É vedado ao médico:

Art. 47. Usar de sua posição hierárquica para impedir, por motivo de crença religiosa, convicção filosófica, política, interesse econômico ou qualquer outro, que não técnicocientífico ou ético, que as instalações e os demais recursos da instituição sob sua direção, sejam utilizados por outros médicos no exercício da profissão , particularmente se forem os únicos existentes no local. Art. 48. Assumir emprego, cargo ou função para suceder médico demitido ou afastado em represália à atitude de defesa de movimentos legítimos da categoria ou da aplicação deste Código. Art. 49. Assumir condutas contrárias a movimentos legítimos da categoria médica com a finalidade de obter vantagens. Art. 50. Acobertar erro ou conduta antiética de médico. Art. 51. Praticar concorrência desleal com outro médico. Art. 52. Desrespeitar a prescrição ou o tratamento de paciente, determinados por outro médico, mesmo quando em função de chefia ou de auditoria, salvo em situação de indiscutível benefício para o paciente, devendo comunicar imediatamente o fato ao médico responsável. Art. 53. Deixar de encaminhar o paciente que lhe foi enviado para procedimento especializado de volta ao médico assistente e, na ocasião, fornecer-lhe as devidas informações sobre o ocorrido no período em que por ele se responsabilizou. Art. 54. Deixar de fornecer a outro médico informações sobre o quadro clínico de paciente, desde que autorizado por este ou por seu representante legal. Art. 55. Deixar de informar ao substituto o quadro clínico dos pacientes sob sua responsabilidade ao ser substituído ao fim do seu turno de trabalho. Art. 56. Utilizar-se de sua posição hierárquica para impedir que seus subordinados atuem dentro dos princípios éticos. Art. 57. Deixar de denunciar atos que contrariem os postulados éticos à comissão de ética da instituição em que exerce seu trabalho profissional e, se necessário, ao Conselho Regional de Medicina.

Capítulo VIII
REMUNERAÇÃO PROFISSIONAL
É vedado ao médico:

Art. 58. O exercício mercantilista da Medicina. Art. 59. Oferecer ou aceitar remuneração ou vantagens por paciente encaminhado ou recebido, bem como por atendimentos não prestados. Art. 60. Permitir a inclusão de nomes de profissionais que não participaram do ato médico para efeito de cobrança de honorários. Art. 61. Deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado dos procedimentos. Art. 62. Subordinar os honorários ao resultado do tratamento ou à cura do paciente. Art. 63. Explorar o trabalho de outro médico, isoladamente ou em equipe, na condição de proprietário, sócio, dirigente ou gestor de empresas ou instituições prestadoras de serviços médicos. Art. 64. Agenciar, aliciar ou desviar, por qualquer meio, para clínica particular ou instituições de qualquer natureza, paciente atendido pelo sistema público de saúde ou dele utilizar-se para a execução de procedimentos médicos em sua clínica privada, como forma de obter vantagens pessoais. Art. 65. Cobrar honorários de paciente assistido em instituição que se destina à prestação de serviços públicos, ou receber remuneração de paciente como complemento de salário ou de honorários. Art. 66. Praticar dupla cobrança por ato médico realizado. Parágrafo único. A complementação de honorários em serviço privado pode ser cobrada quando prevista em contrato. Art. 67. Deixar de manter a integralidade do pagamento e permitir descontos ou retenção de honorários, salvo os previstos em lei, quando em função de direção ou de chefia. Art. 68. Exercer a profissão com interação ou dependência de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer organização destinada à fabricação, manipulação, promoção ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza. Art. 69. Exercer simultaneamente a Medicina e a Farmácia ou obter vantagem pelo encaminhamento de procedimentos, pela comercialização de medicamentos, órteses, próteses ou implantes de qualquer natureza, cuja compra decorra de influência direta em virtude de sua atividade profissional. Art. 70. Deixar de apresentar separadamente seus honorários quando outros profissionais participarem do atendimento ao paciente. Art. 71. Oferecer seus serviços profissionais como prêmio, qualquer que seja sua natureza. Art. 72. Estabelecer vínculo de qualquer natureza com empresas que anunciam ou comercializam planos de financiamento, cartões de descontos ou consórcios para procedimentos médicos.

Capítulo IX
SIGILO PROFISSIONAL
É vedado ao médico:

Art. 73. Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente. Parágrafo único. Permanece essa proibição: a) mesmo que o fato seja de conhecimento público ou o paciente tenha falecido; b) quando de seu depoimento como testemunha. Nessa hipótese, o médico comparecerá perante a autoridade e declarará seu impedimento; c) na investigação de suspeita de crime, o médico estará impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal. Art. 74. Revelar sigilo profissional relacionado a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou representantes legais, desde que o menor tenha capacidade de discernimento, salvo quando a não revelação possa acarretar dano ao paciente. Art. 75. Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos, em meios de comunicação em geral, mesmo com autorização do paciente. Art. 76. Revelar informações confidenciais obtidas quando do exame médico de trabalhadores, inclusive por exigência dos dirigentes de empresas ou de instituições, salvo se o silêncio puser em risco a saúde dos empregados ou da comunidade. Art. 77. Prestar informações a empresas seguradoras sobre as circunstâncias da morte do paciente sob seus cuidados, além das contidas na declaração de óbito, salvo por expresso consentimento do seu representante legal. Art. 78. Deixar de orientar seus auxiliares e alunos a respeitar o sigilo profissional e zelar para que seja por eles mantido. Art. 79. Deixar de guardar o sigilo profissional na cobrança de honorários por meio judicial ou extrajudicial.

Capítulo X
DOCUMENTOS MÉDICOS
É vedado ao médico:

Art. 80. Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não corresponda à verdade. Art. 81. Atestar como forma de obter vantagens. Art. 82. Usar formulários de instituições públicas para prescrever ou atestar fatos verificados na clínica privada. Art. 83. Atestar óbito quando não o tenha verificado pessoalmente, ou quando não tenha prestado assistência ao paciente, salvo, no último caso, se o fizer como plantonista, médico substituto ou em caso de necropsia e verificação médico-legal. Art. 84. Deixar de atestar óbito de paciente ao qual vinha prestando assistência, exceto quando houver indícios de morte violenta. Art. 85. Permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade. Art. 86. Deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou a seu representante legal quando aquele for encaminhado ou transferido para continuação do tratamento ou em caso de solicitação de alta. Art. 87. Deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente. § 1º O prontuário deve conter os dados clínicos necessários para a boa condução do caso, sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica com data, hora, assinatura e número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina. § 2º O prontuário estará sob a guarda do médico ou da instituição que assiste o paciente. Art. 88. Negar, ao paciente, acesso a seu prontuário, deixar de lhe fornecer cópia quando solicitada, bem como deixar de lhe dar explicações necessárias à sua compreensão, salvo quando ocasionarem riscos ao próprio paciente ou a terceiros. Art. 89. Liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa. § 1º Quando requisitado judicialmente o prontuário será disponibilizado ao perito médico nomeado pelo juiz. § 2º Quando o prontuário for apresentado em sua própria defesa, o médico deverá solicitar que seja observado o sigilo profissional. Art. 90. Deixar de fornecer cópia do prontuário médico de seu paciente quando de sua requisição pelos Conselhos Regionais de Medicina. Art. 91. Deixar de atestar atos executados no exercício profissional, quando solicitado pelo paciente ou por seu representante legal.

Capítulo XI
AUDITORIA E PERÍCIA MÉDICA
É vedado ao médico:

Art. 92. Assinar laudos periciais, auditoriais ou de verificação médico-legal quando não tenha realizado pessoalmente o exame. Art. 93. Ser perito ou auditor do próprio paciente, de pessoa de sua família ou de qualquer outra com a qual tenha relações capazes de influir em seu trabalho ou de empresa em que atue ou tenha atuado. Art. 94. Intervir, quando em função de auditor, assistente técnico ou perito, nos atos profissionais de outro médico, ou fazer qualquer apreciação em presença do examinado, reservando suas observações para o relatório. Art. 95. Realizar exames médico-periciais de corpo de delito em seres humanos no interior de prédios ou de dependências de delegacias de polícia, unidades militares, casas de detenção e presídios. Art. 96. Receber remuneração ou gratificação por valores vinculados à glosa ou ao sucesso da causa, quando na função de perito ou de auditor. Art. 97. Autorizar, vetar, bem como modificar, quando na função de auditor ou de perito, procedimentos propedêuticos ou terapêuticos instituídos, salvo, no último caso, em situações de comunicando, por escrito, o fato ao médico assistente. Art. 98. Deixar de atuar com absoluta isenção quando designado para servir como perito ou como auditor, bem como ultrapassar os limites de suas atribuições e de sua competência. Parágrafo único. O médico tem direito a justa remuneração pela realização do exame pericial.

Capítulo XII
ENSINO E PESQUISA MÉDICA
É vedado ao médico:

Art. 99. Participar de qualquer tipo de experiência envolvendo seres humanos com fins bélicos, políticos, étnicos, eugênicos ou outros que atentem contra a dignidade humana. Art. 100. Deixar de obter aprovação de protocolo para a realização de pesquisa em seres humanos, de acordo com a legislação vigente. Art. 101. Deixar de obter do paciente ou de seu representante legal o termo de consentimento livre e esclarecido para a realização de pesquisa envolvendo seres humanos, após as devidas explicações sobre a natureza e as consequências da pesquisa. Parágrafo único. No caso do sujeito de pesquisa ser menor de idade, além do consentimento de seu representante legal, é necessário seu assentimento livre e esclarecido na medida de sua compreensão. Art. 102. Deixar de utilizar a terapêutica correta, quando seu uso estiver liberado no País. Parágrafo único. A utilização de terapêutica experimental é permitida quando aceita pelos órgãos competentes e com o consentimento do paciente ou de seu representante legal, adequadamente esclarecidos da situação e das possíveis consequências. Art. 103. Realizar pesquisa em uma comunidade sem antes informá-la e esclarecê-la sobre a natureza da investigação e deixar de atender ao objetivo de proteção à saúde pública, respeitadas as características locais e a legislação pertinente. Art. 104. Deixar de manter independência profissional e científica em relação a financiadores de pesquisa médica, satisfazendo interesse comercial ou obtendo vantagens pessoais. Art. 105. Realizar pesquisa médica em sujeitos que sejam direta ou indiretamente dependentes ou subordinados ao pesquisador. Art. 106. Manter vínculo de qualquer natureza com pesquisas médicas, envolvendo seres humanos, que usem placebo em seus experimentos, quando houver tratamento eficaz e efetivo para a doença pesquisada. Art. 107. Publicar em seu nome trabalho científico do qual não tenha participado; atribuir-se autoria exclusiva de trabalho realizado por seus subordinados ou outros profissionais, mesmo quando executados sob sua orientação, bem como omitir do artigo científico o nome de quem dele tenha participado. Art. 108. Utilizar dados, informações ou opiniões ainda não publicados, sem referência ao seu autor ou sem sua autorização por escrito. Art. 109. Deixar de zelar, quando docente ou autor de publicações científicas, pela veracidade, clareza e imparcialidade das informações apresentadas, bem como deixar de declarar relações com a indústria de medicamentos, órteses, próteses, equipamentos, implantes de qualquer natureza e outras que possam configurar conflitos de interesses, ainda que em potencial. Art. 110. Praticar a Medicina, no exercício da docência, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, sem zelar por sua dignidade e privacidade ou discriminando aqueles que negarem o consentimento solicitado.

Capítulo XIII
PUBLICIDADE MÉDICA
É vedado ao médico:

Art. 111. Permitir que sua participação na divulgação de assuntos médicos, em qualquer meio de comunicação de massa, deixe de ter caráter exclusivamente de esclarecimento e educação da sociedade. Art. 112. Divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico. Art. 113. Divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente. Art. 114. Consultar, diagnosticar ou prescrever por qualquer meio de comunicação de massa. Art. 115. Anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina. Art. 116. Participar de anúncios de empresas comerciais qualquer que seja sua natureza, valendo-se de sua profissão. Art. 117. Apresentar como originais quaisquer idéias, descobertas ou ilustrações que na realidade não o sejam. Art. 118. Deixar de incluir, em anúncios profissionais de qualquer ordem, o seu número de inscrição no Conselho Regional de Medicina. Parágrafo único. Nos anúncios de estabelecimentos de saúde devem constar o nome e o número de registro, no Conselho Regional de Medicina, do diretor técnico.

Capítulo XIV
DISPOSIÇÕES GERAIS

I - O médico portador de doença incapacitante para o exercício profissional, apurada pelo Conselho Regional de Medicina em procedimento administrativo com perícia médica, terá seu registro suspenso enquanto perdurar sua incapacidade. II - Os médicos que cometerem faltas graves previstas neste Código e cuja continuidade do exercício profissional constitua risco de danos irreparáveis ao paciente ou à sociedade poderão ter o exercício profissional suspenso mediante procedimento administrativo específico. III - O Conselho Federal de Medicina, ouvidos os Conselhos Regionais de Medicina e a categoria médica, promoverá a revisão e atualização do presente Código quando necessárias. IV - As omissões deste Código serão sanadas pelo Conselho Federal de Medicina.


REGIMENTO DO CORPO CLÍNICO


REGIMENTO DO CORPO CLÍNICO
DAS FINALIDADES
Artigo 1º

Corpo Clínico do Hospital, entidade hierarquicamente organizada, de plena autonomia profissional, responsável pelo tratamento de todos os pacientes que procuram o Hospital ou seus ambulatórios, se regerá por este regimento.

Artigo 2º

Compete ao Corpo Clínico colaborar com a Administração do Hospital, no sentido de estabelecer o mais elevado padrão técnico-científico para a consecução de suas finalidades.

Parágrafo Único: Os médicos do Hospital obedecerão, nas suas relações individuais e coletivas, aos princípios da Ética Médica, estabelecida pelo Código de Ética Médica, oficialmente em vigor.

DA ORGANIZAÇÃO DO DEPARTAMENTO MÉDICO
Artigo 3º

O Corpo Clínico desempenha suas atividades profissionais nas unidades médicas do Hospital, que compreendem: A) As Clínicas Cirúrgicas B) As Clínicas Médicas C) Os Serviços Médicos e Auxiliares D) Pronto Atendimento

Artigo 4º

As Clínicas Cirúrgicas são: A) Cirurgia Buco-Maxilo-Facial B) Cirurgia de Cabeça e Pescoço C) Cirurgia de Mão D) Cirurgia Geral E) Cirurgia Infantil F) Cirurgia Plástica G) Cirurgia Toráxica H) Ginecologia e Obstetrícia I) Mastologia J) Moléstias Vasculares L) Neurologia e Neuro-Cirurgia M) Oftalmologia N) Ortopedia-Traumatologia O) Otorrinolaringologia P) Urologia e Nefrologia e outras que tiverem a ser oferecidas

Artigo 5º

As Clínicas Médicas são: A) Cardiologia B) Medicina Geral C) Pediatria D) Pneumologia E) Oncologia F) Psiquiatria e outras que vierem a ser oferecidas

Artigo 6º

Os Serviços Médicos Auxiliares são: A) Anestesia e Gasoterapia B) Banco de Sangue C) Cicloergometria D) Densitometria E) Endoscopia F) Fisioterapia G) Laboratório de Análises H) Litotripsia I) Métodos Gráficos J) Quimioterapia L) Radiologia M) Radioterapia N) Terapia Intensiva Adulto e Infantil O) Tomografia P) Ultrasonografia

Parágrafo Único: Poderão ser criadas, extintas ou reunidas Clínicas ou Serviços, a fim de serem atendidos os interesses do Hospital, desde que não firam os Estatutos da Sociedade e os direitos dos Acionistas, constantes do Condomínio de Ações, quando da aquisição do Hospital.

Artigo 7º

As clínicas que constam dos Artigos 4º e 5º deste Regimento prestam assistência aos pacientes no Ambulatório e nas unidades de internação, podendo ser reservados pelo Diretor Clínico, determinado número de leitos para cada especialidade.

Artigo 8º

Cada Clínica e Serviço será dirigido por um médico responsável.

Artigo 9º

Cada Clínica e Serviço funcionará dentro de normas fixadas, após acordo com a Administração do Hospital, atentando sempre, aos Estatutos da Sociedade.

DA CONSTITUIÇÃO
Artigo 10º

O Corpo Clínico será constituído dos seguintes membros: B) Agregados C) Eventuais D) Membros Afins A) Efetivos

DA DIREÇÃO
Artigo 11º

O Corpo Clínico será regido pelo Diretor Clínico

Artigo 12º

O Corpo Clínico efetivo elegerá três médicos do Corpo Clínico, dentre os quais a Diretoria escolherá e nomeará o Diretor Clínico.

Parágrafo Único: O chefe de Clínica ou Serviço, se for eleito Diretor Clínico, continuará na chefia da Clínica ou Serviço, podendo acumular os dois cargos.

Artigo 13º

Só poderá ser eleito o Diretor Clínico, o Médico em pleno exercício das suas funções.

DA ADMISSÃO
Artigo 14º

Para ser membro do Corpo Clínico, o candidato deverá requerer sua inscrição através de preenchimento de ficha cadastral; nesta, deverão constar todos os dados para a qualificação do candidato.

Parágrafo Único: Efetivos: são somente os chefes de Clínicas e Serviços, que exercem continuada e regularmente sua atividade no Hospital. Agregados: são os médicos que atuam junto às diversas Clínicas e Serviços, sob a orientação dos respectivos chefes efetivos. Credenciados: aqueles que apenas, eventualmente, atuam no Hospital, internando seus pacientes, após analisadas suas condições técnicas e curriculares. Essas medidas terão reavaliação técnica e periódica de sua ficha cadastral e somente continuarão a ser membro do corpo clínico, se as condições de avaliação inicial não sofrerem modificações. M. Afins: profissionais de nível universitário na área da saúde, em estreita relação com o trabalho médico. Inciso 1º: Médicos que não fazem parte do Corpo Clínico podem internar e assistir seus pacientes, respeitando às normas técnicas e administrativas da Instituição, conforme o artigo 25 do Código de Ética Médica.

DAS ATRIBUIÇÕES, DEVERES E DIREITOS
Artigo 15º

Ao Diretor Clínico compete: A) Servir como elemento de ligação entre o Corpo Clínico e a Diretoria. B) Reger e coordenar todas as atividades médicas do Hospital. C) Convocar reuniões ordinárias e extraordinárias do Corpo Clínico. D) Nomear as comissões permanentes e especiais do Corpo Clínico. E) Representar o Hospital em relações com autoridades sanitárias e outras, quando exigirem as leis em vigor, podendo subestabelecer. F) Participar da comissão conjunta, prevista pelos estatutos do Hospital, para o estudo dos problemas técnicos-administrativos. G) Encaminhar à Diretoria todas as indicações do Corpo Clínico. H) Cientificar à Administração do Hospital as irregularidades que se relacionam com a boa ordem, o asseio e a disciplina hospitalar. I) Apresentar à Diretoria relatório anual das atividades médicas. J) Cumprir e fazer o Regulamento do Hospital e o presente regimento.

Artigo 16º

Ao Chefe de Clínica ou Serviço compete: A) Supervisão e orientação médica da sua unidade. B) Organizar a unidade a seu cargo, de tal maneira que os pacientes recebam assistência eficiente, imediata e contínua. C) Comparecer, diariamente, à sua unidade e controlar frequência dos seus auxiliares médicos. D) Reger o trabalho dos médicos, tendo sobretudo em vista a qualidade da assistência prestada e a dedicação às finalidades da unidade e do Hospital. E) Elaborar ou determinar a elaboração do prontuário médico de cada paciente, de acordo com as normas aprovadas pela administração do Hospital. F) Promover reuniões periódicas dos médicos que frequentam a unidade, aclarando e procurando resolver os casos clínicos, assim como, estudando os prontuários e tudo que se relaciona com uma melhor assistência aos pacientes com aperfeiçoamento técnico. G) Estimular o espírito de iniciativa entre seus auxiliares, bem como a cooperação com os demais serviços do Hospital e sua administração. H) Comunicar ao Diretor Clínico as faltas previstas e imprevistas, a fim de ser mantida a boa ordem da unidade. I) Visar os pedidos de equipamento necessário à unidade. J) Cumprir e fazer cumprir o Regulamento do Hospital e o Regimento do Corpo Clínico, assim como as "Ordens", "Instruções" e "Rotinas" do Serviço emitidas pelo Diretor Clínico e pela administração.

Artigo 17º

Aos médicos compete: A) Assistir os doentes sob sua responsabilidade, com dedicação e eficiência. B) Procurar, por todos os meios a seu alcance, o seu aperfeiçoamento técnico e científico. C) Cumprir o Regulamento do Hospital e o Regimento do Corpo Clínico, assim como as "Ordens", "Instruções", "Rotinas" e "Diretrizes" emitidas pelo Diretor Clínico e ou pela Administração do Hospital. D) Ser membro da Comissão de Qualidade do Hospital e atuar junto ao Corpo Clínico, solicitando e exigindo do mesmo, obediência às deliberações da Comissão.

Artigo 18º

São direitos dos médicos do Corpo Clínico: A) Frequentar o Hospital e usar o seu aparelhamento técnico (desde que devidamente habilitados para tal) necessário à assistência aos doentes sob sua responsabilidade. B) Participar das reuniões do Corpo Clínico, discutir os assuntos em debate, opinar e votar. C) Propor e sugerir modificações, ampliações, remodelações e tudo que vise a melhoria da assistência aos pacientes e a elevação do padrão técnico do Hospital, através do respectivo chefe da Clínica ou Serviço. D) Internar, com prioridade, seus pacientes particulares, dentro das possibilidades de acomodação do Hospital.

Artigo 19º

Formação da Comissão de Ética e Médica: A) A COMISSÃO DE ÉTICA MÉDICA é regida pela resolução CREMESP 035/90 B) É constituída por eleição entre membros do Corpo Clínico Efetivos ou Agregados, desde que exerçam suas atividades junto à Clínica ou Serviço do Hospital, por um período mínimo ininterrupto de 5 anos.

DAS PENALIDADES
Artigo 20º

São causas da suspensão da atividade médica no Hospital quando: A) Desrespeitar repetidamente o regulamento do Hospital e Artigo 25º ou o Regimento do Corpo Clínico. B) Comprometer o bom nome e a reputação profissional do Corpo Clínico e Hospital, tanto nas suas relações internas como externas.

Parágrafo Único - O médico que tiver sua atividade no Hospital suspensa, poderá recorrer ao Corpo Clínico, através de solicitação dirigida ao Diretor Clínico.

Artigo 21º

À Diretoria caberá,em última circunstância, decidir sobre o caso, ouvido previamente o Corpo Clínico e a Comissão de Ética Médica. Em caso de transgressão do Código de Ética, o Diretor Clínico deverá encaminhar ao CREMESP com parecer da Comissão de Ética Médica.

DAS REUNIÕES
Artigo 22º

O Corpo Clínico deverá reunir-se extraordinariamente, todas às vezes que o Diretor Clínico julgar necessário.

Artigo 23º

O Corpo Clínico se reunirá sob a presidência do Diretor Clínico.

Parágrafo Único - Na ausência do Diretor Clínico ou seu substituto legal a reunião será presidida por um dos chefes do serviço presentes.

Artigo 24º

As reuniões serão secretariadas pelo membro do Corpo Clínico escolhido para esse cargo pelo Diretor Clínico ou, na ausência, por um secretário "ad hoc".

Artigo 25º

A reforma parcial ou total deste Regimento só poderá ser feita em reunião extraordinária, especialmente convocada para tal fim, sendo os motivos e as finalidades do conhecimento dos membros do Corpo Clínico, pelo menos com 30 dias de antecedência à reunião.

DO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA
Artigo 26º

O Serviço de Emergência destina-se a atender os casos chegados ao Hospital e que exijam imediata assistência médica, por apresentarem iminente perigo de vida, de invalidez, ou sofrimento intenso.

Artigo 27º

Para o atendimento dos casos de emergência o Diretor Clínico organizará uma equipe de médicos, que se revezarão nos plantões, de acordo com as necessidades do Hospital.

Artigo 28º

Em caso de extrema emergência, qualquer médico deve prestar o primeiro socorro, afastando de si a idéia de qualquer remuneração e, posteriormente entregando o paciente ao colega chamado ou indicado.

Parágrafo Único: Em caso de extrema emergência, todas as leis e os regulamentos serão suspensos para maior amplitude da ação em favor do paciente.

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 29º

Nenhum paciente poderá ser internado sem guia médica e sem ter pelo menos um diagnóstico provisório por escrito.

Artigo 30º

Todas as odens para tratamento deverão ser feitas por escrito e rubricadas, sobre carimbo do médico em que conste seu CRM.

Parágrafo 1º: Os tecidos retirados serão entregues ao Laboratório, para os exames que forem julgados necessários à clareza do diagnóstico.

Artigo 31º

Salvo nas emergências os casos de operações que impliquem em grande risco de vida, ou risco de incapacidade física ou interrupção da gravidez, devem obrigatoriamente ser submetidos pelo médico assistente a uma consulta prévia, com dois colegas pelo menos, os quais assinarão

Artigo 32º

Nenhum equipamento ou material de propriedade do Hospital será de uso privativo de um médico, a não ser, quando expressamente determinado pelo Diretor Clínico e da Administração.

Parágrafo Único: Nenhum médico poderá levar material da sua propriedade para utilizá-lo no Hospital, sem autorização expressa do Diretor Clínico e da Administração.

Artigo 33º

Os problemas técnicos administrativos e os casos omissos que forem do interesse comum ao Corpo Clínico e à Administração do Hospital serão estudados por uma Comissão Consultiva, composta de representantes da Diretoria, do Corpo Clínico, da Comissão de Ética Médica e do Administrador, dando o seu parecer.

DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
Artigo 34º

O presente Regimento foi aprovado por reunião extraordinária do Corpo Clínico, entrando em vigor após a sua aprovação pela Diretoria Administrativa do Hospital. Ad referendum CREMESP.

ADENDO AO REGIMENTO DO CORPO CLÍNICO DO HMCG
Artigo 35º

COMISSÃO DE REVISÃO DE PRONTUÁRIO É regida pela resolução 70/95 do Conselho Regional de Medicina e a ela compete: A) Identificação do paciente, anamnese, exames complementares e seus respectivos resultados, hipóteses diagnósticas, diagnóstico definitivo e tratamento efetuado. B) Obrigatoriedade de letra legível do profissional que atendeu o paciente, bem como de assinatura e carimbo ou nome legível do médico e respectiva inscrição no CREMESP. C) Obrigatoriedade do registro diário de evolução clínica do paciente, bem como a prescrição médica consignado data e hora. D) Tipo de alta; II- Assessorar a Direção Técnica ou Clínica da Instituição em assuntos da sua competência. III - Manter estreita relação com a Comissão de Ética Médica, com a qual deverão ser discutidos os resultados das avaliações feitas. IV - Os integrantes desta comissão serão indicados pelo Diretor Clínico, devendo o mesmo obrigatoriamente fazer parte dela. E) A atualização de procedimentos de prontuário em consonância com o CRM.

AGENDAMENTO CIRÚRGICO

1) Cirurgias eletivas devem ser agendadas na Central de Agendamento (ramais 3614 e 3601); 2) Fornecer: nome completo do paciente, telefone para contato, convênio, código da cirurgia e lista de materiais necessários.

PRONTUÁRIO ELETRÔNICO

Acesso ao sistema: 1) Login/Senha Tasy: quando o cadastro é realizado, o sistema cria automaticamente seu login e senha. O login sempre será o número do CRM do médico e a senha padrão (123) que deverá ser alterada no primeiro acesso ao sistema. 2) Treinamento: quando necessário obter treinamento do sistema, o médico deverá entrar em contato com o setor de Tecnologia da Informação para o agendamento (Ramal 3801). É obrigatória a utilização do sistema.

Seus Dados

Dados do Paciente e do Convênio






Dados da Cirurgia





Materiais Especiais

Anexos

Equipamentos


Obs: caso o cirurgião tenha instrumental particular para esterilizar,
trazer 24hs antes no CME.

Médico